Blog de ZéSarmento


 

 

PROSIA XII

Ninguém é dono de ninguém nesse poderoso universo de sabedoria e labuta

Que se movimenta em busca de energia para passar a frente mais sabedoria necessária

Para o cientificismo do saber

De como funciona eu e meus outros  menores presos a mim.

Somos um só

Mesmo separados

Porque estão os outros agarrados a mim

Separados por uma distância calculada milimetricamente

Para que nenhum acidente aconteça.

Sem a distância de uns aos outros

Estaria se precipitando grave crise existencial entre um e outro corpo

Que me pertence

E no fim

Poderia acontecer uma catástrofe daquelas

Que todos saem perdendo

Por serem todos ligados uns aos outros por meio da qual

A energia é à base de sustentação e união.

Não só as correntes presas nas  argolas que são presas ao meu corpo

E trabalham esticadas

Devido a minha velocidade de girar sem parar gastando energia

E ao mesmo tempo produzindo

Precipitarão para o abismo da destruição.

Os outros corpos do entorno de mim

E o entorno dos outros corpos menores do entorno de mim

Também irão sentir o efeito dessa explosiva catástrofe

Que pode ser evitada

Se todos entenderem

Que cada um deve fazer sua parte

Para que tudo se ajuste no universo sócio-familiar .

 



Escrito por ZéSarmento às 19h49
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PROSIA XI

Esse giro continuado é tudo que preciso

Para que todos se alimentem e ganhem vida renovada.

Sei que os inimigos querem me destruir sem parar

Mas me renovo devido minha capacidade de encontrar energia de que preciso

Para seguir sobre o nebuloso que está meu universo

E resguardar de supostas fúrias os corpos de minha genética.

Tudo produzido pela ganância de outros corpos que não me pertencem

E querem ficar com  a maior parte da energia produzida por todos

E bem mais por mim

Por ser eu o responsável pela produção de tudo que o meu espaço produz.

Sei que sou de todos

Que fui repartido em minúsculos pedaços

Desde a chagada dos corpos sobre o meu

E se prenderam pelas correntes que me sangram

Mas deveriam ser mais bem acomodados

E saberem dividir o que  me pertence com  quem pertence a mim

E são meus irmãos e filhos.

Poderia me enfurecer?

Poderia

Daí daria uma lição aos corpos que precisam saber

Que tudo que me pertence

Concerne a todos

Não só aos corpos que se dizem querer levar vantagem em tudo

E que fazem e pensam ser o meu dono.

 



Escrito por ZéSarmento às 19h47
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PROSIA X

Tenho consciência da minha importância

Para tantos que precisam que eu viva girando

Num rodopio endoidecido

Mas linearmente produzido.

Tudo muito bem calculado pelos números que me capacitam

A ser o centro de tudo que existe agarrado no meu corpo

Preso pelas correntes

Que são presas pelas argolas que puxam e repuxam minhas carnes

Que me ensangüentam e me retrai de vez em quando

A um grande sofrimento

Por ver que aquilo que outros corpos do entorno de mim produzem

Estão me destruindo

E me destituindo de ser o pai de todos

Que são agarrados em mim

Pelas corrente sempre esticadas que seguram os outros corpos

E se movimentam pela minha energia está sempre carregada de força

Capaz de girar todos que me pertencem.

Sem esse pertencimento dos corpos presos a mim

Eu também deixarei de movimentar girando sem parar.

Eles são um benefício para que eu sobreviva.

Trabalho árduo sei que dão

Mas para mim é uma gratificação serem pertencentes ao meu corpo

E fazerem parte de mim

Todos os corpos que estão agarrados ao meu.

 



Escrito por ZéSarmento às 19h45
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PROSIA IX

Sou o todo poderoso sem muito poder de demanda

Que sustenta os outros que se dizem menores

Mas que não são.

São menores de dimensão

Mas muito importantes para que eu sobreviva

E passe a frente à necessidade de todos em conjunto encontrar eficácia

Também como eu encontro nessa circulação

Que não me retrai nem me deixa abrandar.

Preciso seguir circulando para não esvaecer.

Se por acaso isso ocorrer

Estaremos todos entrando numa rota de colisão

Então será o fim de um corpo como eu

Que tem tanta força e vontade de ajudar aos demais que sei que precisam de mim.

Sei que sou um gigante dono dessa força capaz de ajudar a quem precisa

Mas para isso

Preciso cobrar que os outros também se entreguem e se movimentem

E saibam que sou preciso trabalhar bem mais que eles

Para fazê-los viver recebendo energia que eu produzo

Através dos tempos sem parar

Mas que não a quero oferecer de graça.



Escrito por ZéSarmento às 21h36
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PROSIA VIII

Se eu parar

Pára todos outros movimentos e

Os outros parando

Estarão se chocando no desentendimento.

Ao se chocarem

Produzirão uma onda de energia suficiente para explodir  todos os outros módulos

Que circula junto ao meu corpo

Que se movimenta puxando quem precisa de mim

Para também se movimentar e

Circular num continuo atuar para sobreviver e fazer sobreviver aos outros.

No circular contínuo

Estarão gastando energia e ao mesmo tempo produzindo.

Esse movimento moto-perpétuo me faz eternizado no espaço sem interrupção

Passando aos demais corpos

Que estão agarrados e presos a mim

Pelas correntes que não se partem e não se afrouxam.

Se isto ocorrer

Será o fim da produção de energia e gasto total dela.

Sem renovação dessa energia

Não se alcança estágios capazes de fazer os corpos entenderem

Que cada um deve fazer sua parte

Para que o todo desse meu universo funcione

Sem promessa de que tudo não passe de um circuito interligado

Mas sem inteligência

Só amparado na capacidade de se ajudarem mutuamente

Para seguir rumo aos anos vividos que me faz circular sem esmorecer.

 

 



Escrito por ZéSarmento às 11h56
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PROSIA VII

Que prazer de viver terá esse corpo em movimento contínuo

Alimentado pelo lixo produzido pela industrialização de massa

Que suja de imundícies e desestabiliza-me dos  víeis

Que se quer como meta para melhorar a vida dos outros corpos

 Agarrados ao meu

Pelas correntes e argolas que me puxam as carnes?

Um dia sucumbirei

Se arestas não forem aparadas para regulamentar

O quanto posso suportar e me renovar com o tempo que não me espera parar.

Como sei que o tempo não espera ninguém

Se eu e os MEUS não acordarmos para a vida

Seremos tragados e triturados pela máquina de produzir ilusão.

A ilusão é  uma montanha difícil de transpor

Justamente por isso a dificuldade em escalá-la será mais difícil

Pelo limbo deslizante que o inimigo produz

Não nos deixar escalá-la.

 

 



Escrito por ZéSarmento às 11h53
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PROSIA VI

Ferido e chorando eu uivando vou  girando

Por sentir que a dor não é passageira.

Vou tentando parar de rodopiar

Quando mais energia me aquece e me alimenta

Pondo-me a funcionar com mais velocidade.

Não posso parar

Se isso acontecer

Será o fim

E o fim não deixará margem para recomeço.

O recomeço é bom para quem nasceu de família organizada

Segmentada em rocha sólida

Sem ser de gás evaporante e intoxicante.

Como vou seguindo no puxa repuxa das minhas carnes

Logo sucumbirei

Então serei entregue ao fantasma da derrota.

Serão quando as portas se fecharão

Imantando a passagem de um corpo em movimento contínuo

Em busca do prazer de viver

Mas que os outros corpos não deixam

Por serem todos muito egoístas em relação aos demais

Que não se figuram das suas partes.



Escrito por ZéSarmento às 11h18
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PROSIA V

Viver para mim no hoje

É estar acorrentado ao sucumbir dos pensamentos e movimentos do senhor do menosprezo

Que é um  perseguidor implacável da discriminação.

Viver no hoje

É não ter massa antiaderente  para repelir os corpos que se sustentam sobre as argolas

Que me rompem  as carnes e se contorcem

Puxando o couro ensanguetado de mim.

Meu corpo quer repouso

Mas isso não

Para tanto teria que ser recriado com outra forma e fórmula

Outra mentalidade

Outra cultura sem ser a da massa que castiga 

E enverga a vergonha de ter nascido  dum corpo menos sólido que os demais.

Os demais que nos nocauteiam sem dor

Não querem saber por onde começar se dá melhor

Querem a sua sobrevivência

Mesmo sem saber respeitar os limites dos outros corpos.



Escrito por ZéSarmento às 21h46
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PROSIA IV

Girando num giro ininterrupto

Recebendo energia de quem possa doar sem precisar no futuro cobrar

Esses corpos permanecerão vivos e elásticos

Produzindo potência necessária para a sobrevivência do sistema

Que seguramente

Sem alimentação continuada

Deixará de existir

Para tanto é preciso que cada um faça sua parte.

Se parar a energia de produzir novas rotas

Todo sistema ao redor desse grande corpo que sou eu

Amarrado pelas correntes que lhe sustentam

Girando sempre no mesmo eixo numa rota sem colisão

Não viverão em harmônio.

Sem o meu corpo sangrando energia de que os outros precisam

Girando procurando espaço livre 

E mais energia para continuar girando

Os outros corpos se dissiparão

E se perderão pelo cosmo da insegurança

Pela falta de segurança que tem quem precisa do meu corpo em movimento para se sustentar.

                                                       



Escrito por ZéSarmento às 21h43
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PROSIA III

Meu corpo

Fazendo rodopiar o cilindro sustentado pelo eixo central

Que equilibra a base sólida do espaço que movimenta para além da consciência humana

Poderá chegar um dia a não suportar tamanha carga

E precisará de energia sobressalente.

Mas de onde virá essa outra energia

Se sou o produtor de toda energia necessária a sobrevivência

De quem está no entorno de mim?

Sem ela deixará de existir todo movimento

Que dá vida aos corpos que giram em torno  do trono de mim

Amarrados por cabos de aço uns

Presos nas argolas presas nas minhas carnes por correntes outros.

Se esse corpo

Que é o centro do  sustentar de todo meu universo parar  

Eu deixo de movimentar

Então o caos começará a se instalar aos outros pontos importantes

Que fazem os lares menores

Mas solidários

Permanecerem vivos.

 



Escrito por ZéSarmento às 21h08
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PROSIA II

Engaiolados e pendurados sob o pêndulo da esperança

Todos andam

Mas esse pêndulo só balança para ir de encontro a poucos

Que conseguem se desaquietar do estado de letargia em que a maioria vive.

Nesse corpo há espaço para todos se amarrarem e rodopiar

Num volátil movimento de abrigo que sustenta toda energia necessária

Para o meu universo produzir  energia imprescindível

Para os corpos  (filhos) se perpetuarem no infinito do entorno de mim. 

Energia vital

Inconfundível

Obrigatória

Para fazê-los permanecer em movimento

Sustentando o pacto que é ser cidadão com consciência de ser preso do sistema

Que  circula pelo poder da energia produzida pelo seu próprio corpo.

 



Escrito por ZéSarmento às 12h43
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VIVER É ESTAR ACORREENTADO AO SISTEMA...

PROSIA I 

Viver é saber por onde começar escolhas.

É saber segurar o mundo em que vivemos com as carnes do próprio corpo.

Para tanto

Estou acorrentado a ele e ele acorrentado a mim.

Não importa para onde vou

Estou levando tudo que existe nele amarrado em mim.

Tenho dúvidas se tenho poderes mentais humanos

Psicológicos e físicos

Que possam suportar todas as correntes amarradas  no meu corpo

Seguras por argolas presas nas minhas carnes fincadas até os ossos

Para resistir à suntuosa carga de empuxo e repuxo

Sempre girando num rodopio intermitente.

Se parar de girar este corpo

No universo dos que produzem o bem que a sociedade ama em possuir

A bola mundo parará de rodar

Produzindo o que a sociedade de consumo precisa

Para se enfeitar de idiotices passageiras e futilidades mil.



Escrito por ZéSarmento às 10h29
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Apresentação do escritor José Roberto Torero para o livro PARAISÓPOLIS

Primeiro foi um metalúrgico-presidente.  Agora um eletricista-escritor. Parecem que metalúrgicos, eletricistas, babás e enfermeiros cansaram de ser personagens secundários. E eles não se contetam em ser personagens principais. Eles querem mais, querem ser autores. Talvez tenham se cansados de ver suas histórias mal escritas e resolveram escrevê-las por si mesmos. É o caso de José Sarmento. Assim como Paulo Lins, Ferréz, ele conhece temas, problemas e dramas brasileiros por não ouvir falar,  mas por vê-los pela janela. Escritores-eletricistas como Zitto podem trazer um novo ponto de vista para a literatura nacional. Estes escritores-eletricistas, podem nos dar um choque de verdade, uma nova voltagem, uma nova luz.



Escrito por ZéSarmento às 21h32
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A HISTÓRIA CORRE EM CONSONÂNCIA  COM O CORRER DA HUMANIDADE

Cresce o homem evoluindo suas idéias, cresce o homem em busca de conhecimento, evolui a sintonia entre os povos, entre cada indivíduo, entre cada setor da sociedade e cada um indissolúvel, assim como cada grupo em conjunto, faz evoluir também a história. A historia  é o nosso passaporte para nos conhecermos, saber dos nossos antepassados.Nossos antepassados são a gênese da nossa existência.A história é um fragmento do todo, que possui o dom de achar o que estava perdido,  e encontrando, está aí o que nos diz respeito: a vida evolutiva.Graças a essa evolução, a do racional humano, para nascer também a capacidade de exploração do potencial de inteligência gerado  em nós com o tempo.

Manipulada ou maniqueísta, de qualquer modo a história trás conhecimento, que a nós é fundamental para nos conhecermos. Sem ela estaríamos afundados no lamaçal do desconhecido sem as armas necessárias para deliberar a favor ou contra o inimigo.

Se manipulada, mesmo assim a história tem algo a dizer, se inventada, ela tem razão de ser, se explorada por meio lícito, ela tem a luz do saber. O que não pode é o homem ficar a margem do saber sobre suas lutas, suas aventuras, suas conquistas e derrotas. Que o homem siga abrindo fendas, liberando entradas para as grandes conquistas mas, ao meu ver, de modo mais ameno, menos raivoso, sem as armas de destruição em massa, ou mesmo aquela que só derruba um por vez.Que a história seja feita por homens mais inteligentes, mais evoluídos, que não esqueçam que a vida humana merece respeito, sendo o dono dela qualquer um, rico ou pobre, pertencente a qualquer povo ou nação.Viva a história!



Escrito por ZéSarmento às 21h28
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PALAVRAS DE MARCELO RUBENS PAIVA

crítica

A vida do escritor dá força as suas palavras

Tomara que isso seja literatua, diz José Marques Sarmento, apontando-me o exemplar de seu mais recente lançamento, o romance "Urbanóides, um Caos Paulistano".
Será que isso é literatua?É a pergunta que muitos escritores fazem, depois de enfiarem um ponto final num romance.
Quando um cítico mal-intencionado quer desdenhar a obra de um escritor, diz:"Isso não é literatua".Já fizeram comigo.Já aconteceu com muitos.
Outros críticos esperam que cada obra acrescentem elementos inovadores ao gênero.Um crítico certa vez, ao analizar um livro meu, escreveu algo como,"é bom, mas não tem novidades", como se fosse minha intenção querer inovar algo.
Qualquer sequencia de palavas ordenadas de tal forma que deem sentido a uma história é literatua, "a arte de compor e escreve", "na definição do dicionário Aurélio".
É evidente que o mais novo romance de Sarmento é liteatua.E é bom?
Bem, aí são outos cascabulhos.Bom para quem ou para que, Mané?
Paulo Coelho é bom para muitas pessoas.Guimaães Rosa é bom para os ouvidos, os olhos e o coração, mas tem gente que o detesta.
Não se pode ler coelho esperando um gande jogo semântico.Não se pode ler Guimarães esperando uma degustação distraída.Coelho se ler numa fila de espera.Guimarães se ler em casa, em silêncio, concentrado.
Quem quiser ler em Sarmento profundeza semântica talvez não fique plenamente satisfeito.Agora fique a vontade quem quiser ler nele as particularidades de uma literatura popular, rica, dinâmica, desesperada e verdadeira.
Contrariando os caminhos traçados por alguns escritores que escrevem sobre o que não conhecem e se atrapalham com pesquisas (já aconteceu comigo),Sarmento vive aquilo que está em seus livros.
A indignação de um motorista de ônibus que, mais que ninguém,é testemunha do caos humano,é complemento da indignação do autor, o que dá força as palavas.
O narrador tromba com tipos urbanos, sente saudades da sua terra natal e lamenta que muitos passageiros"...cheguem cheios de sonhos e acabem tropeçando nos próprios pesadelos.É literatura ou não é?

Macelo Rubens Paiva paRa ilustrada da folha, em 2 de dezembro de 2000


Escrito por zesarmento às 08h02
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